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segunda-feira, 23 de junho de 2008

O temor de Deus.

Vaticano, 22/6/2008 - Perante o amplo e diversificado panorama dos medos humanos, a Palavra de Deus é clara: quem teme Deus não tem medo. Foi o que afirmou Bento XVI antes da recitação da oração mariana do Angelus com os cerca de 30 mil fiéis congregados ao meio dia na Praça de São Pedro, convidando-os a refletir sobre a diferença que existe entre os medos humanos e o temor de Deus.O medo – recordou - é uma dimensão natural da vida. Desde pequenos experimentamos formas de medo que se revelam depois imaginárias e desaparecem; outras emergem sucessivamente tendo fundamento na realidade; estes devem ser enfrentados e superados com o empenho humano e com a confiança em Deus. Mas existe depois, sobretudo hoje, uma forma de medo mais profunda, de tipo existencial, que ás vezes desemboca na angústia: nasce de um sentido de vazio, ligados a uma certa cultura embebida de um difuso niilismo teórico e pratico.

O Papa recordou que o temor de Deus que as Escrituras definem como o principio da verdadeira sapiência, coincide com a fé nele, com o respeito sagrado pela sua autoridade sobre a vida e sobre o mundo. Não possuir o temor de Deus equivale – explicou Bento XVI - a colocar-se no seu lugar, sentir-se o dono do bem e do mal, da vida e da morte. Pelo contrário, quem teme a Deus adverte em si a segurança que tem a criança nos braços de sua mãe: quem teme a Deus está tranqüilo mesmo no meio das tempestades, porque Deus, como Jesus nos revelou, é Pai cheio de misericórdia e de bondade.

Quem o ama não tem medo. O crente – concluiu o Papa – não se assusta diante de nada, porque sabe que está nas mãos de Deus, sabe que o mal e o irracional não têm a ultima palavra , mas o único Senhor do mundo e da vida é Cristo, o Verbo de Deus encarnado, que nos amou ao ponto de sacrificar-se a si mesmo morrendo na cruz para a nossa salvação.-Antes das saudações nas várias línguas o Santo Padre quis recordar as vitimas do naufrágio de um ferry que transportava mais de 700 passageiros: naufrágio causado pelo tufão ”Fengshen” nas Filipinas.

O Papa disse que soube com viva emoção da noticia do naufrágio. E manifestou a sua proximidade ás populações das ilhas atravessadas pelo tufão e explicou ter rezado pelas vitimas desta tragédia, entre as quais se encontram também crianças.Bento XVI referiu-se também ao bimilenário de nascimento do Apóstolo Paulo que nos preparamos para celebrar com um especial ano jubilar. O Papa fez votos de que este grande acontecimento espiritual e pastoral possa suscitar também em nós uma renovada confiança em Jesus Cristo que nos chama a anunciar e testemunhar o seu Evangelho, sem temer nada. E dirigiu o convite a todos para que se preparem para celebrar com fé o ano Paulino que se Deus quiser inaugurará solenemente sábado próximo na Basílica de São Paulo fora de muros, com a liturgia das primeiras Vésperas da Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.Desde já confiamos esta grande iniciativa eclesial á intercessão de São Paulo e de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos e Mãe de Cristo, fonte da nossa alegria e da nossa paz.-Bento XVI recordou depois que hoje em Beirute, a capital do Líbano é beatificado Yaaqub da Ghazir Haddad, um sacerdote da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas da Cruz do Líbano.

Manifestando as suas felicitações ás suas filhas espirituais, o Papa fez votos de que a intercessão do beato Abuna Yaaqub, unida aquela dos Santos libaneses, obtenha para aquele amado e martirizado País, que já sofreu demasiado, progredir finalmente para uma paz estável.Bento XVI recordou ainda que neste Domingo, em Quebec, no Canadá se encerrará o 49 congresso eucarístico internacional sobre o tema “a Eucaristia dom de Deus para a vida do mundo”. Possais cada dia estar cada vez mais próximos de Cristo, realmente presente na Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã, foram os votos formulados pelo Papa.

Rádio Vaticano


quinta-feira, 19 de junho de 2008

Entrevista com Dom Odilo P. Scherer




Arquidiocese Entrevista com Dom Odilo P. Scherer, recém nomeado membro da Congregação para o Clero - 18/06/2008 - 14:40


O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, foi recentemente nomeado, pelo Papa Bento XVI, membro da Congregação para o Clero. E concedeu, nessa ocasião, uma entrevista exclusiva à TV Arautos. Esta arquidiocese, que conta com cerca de 6 milhões de católicos, é uma das maiores do mundo, exigindo de seus pastores um grande dinamismo e um profundo espírito eclesial.


TV Arautos (TVA): O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer foi nomeado pelo Vaticano como membro da Congregação para o Clero. Dom Odilo, o que representa participar desta comissão?Dom Odilo Pedro Scherer: Os Cardeais participam de uma ou de mais comissões, conselhos ou congregações da Cúria Romana. A Cúria Romana é aquele grande organismo de assessoria, de serviço para a missão do Papa, de colaboradores, que são diretamente as pessoas que trabalham para o Papa. E, claro, cada congregação, cada comissão da Cúria Romana é formada por muitos membros que não estão em Roma, mas que de vez em quando são chamados para alguma reunião, para participar da discussão de algum tema. A minha nomeação para a Congregação para o Clero exatamente significa isso: como membro da Congregação para o Clero, de vez em quando, eu serei chamado a participar de alguma reunião, das reuniões plenárias da Congregação, onde se discute uma série de assuntos para serem depois submetidos à decisão do Papa.

TVA: Efetivamente no Brasil, o senhor vai atuar de alguma maneira, como será este trabalho?Dom Odilo: Não. Isso não tem repercussão direta no meu trabalho, no Brasil. Eu continuo normalmente Arcebispo de São Paulo. Meu trabalho é como Arcebispo de São Paulo, sem responsabilidade sobre o clero, no Brasil, de modo geral. Eu sou responsável pelo clero da Arquidiocese de São Paulo, assim como cada Arcebispo, ou Bispo, é responsável pelo clero de sua diocese.




TVA: O senhor estava em Brasília quando recebeu a notícia. Como foi?
Dom Odilo: De fato, a notícia foi publicada durante a reunião do Conselho Permanente, em Brasília. Mas eu já tinha recebido, através da Nunciatura Apostólica, alguns dias antes, esta comunicação. Ela, então passou a ser pública no momento em que a CNBB publicou.




TVA: Fazendo um resumo da vida do senhor neste último ano, aconteceu muita coisa. O senhor nomeado Arcebispo, depois Cardeal e agora representante da Congregação para o Clero...
Dom Odilo: Sim, em um ano aconteceram muitas coisas. Foi um ano muito cheio de novidades, de trabalhos, mas é assim a vida. Como Arcebispo de São Paulo, a gente também é carregado por toda a situação da cidade de São Paulo, que é uma cidade imensa, uma cidade importante. E, por isso mesmo, a minha nomeação para a Arquidiocese de São Paulo naturalmente é o motivo, digamos assim, de todos estes outros envolvimentos que vão chegando, porque São Paulo é importante. A Arquidiocese de São Paulo é uma Arquidiocese expressiva, e é claro, a gente vai sendo envolvido neste movimento todo. São Paulo recebeu a visita do Papa e, eu tive que acolher o Papa, logo após a minha posse. São Paulo comemorou 100 anos de existência de uma Arquidiocese e tivemos que tomar as iniciativas junto com os outros Bispos Auxiliares e, naturalmente, toda a comunidade católica de São Paulo. E assim por diante. Agora, temos o ano de São Paulo, o Ano Paulino que será aberto no dia 29 de junho, para nós, aqui em São Paulo. E vamos ter uma programação bonita, também, uma proposta interessante para toda a Arquidiocese de São Paulo que quer honrar o Ano Paulino, já que o Apóstolo São Paulo agora também é patrono da Diocese. Então, sim, um ano muito movimentado, mas porque São Paulo é dinâmica, e a cidade é movimentada e queremos que a Igreja de São Paulo acompanhe a vida da cidade.




TVA: E cresça junto?Dom Odilo: Cresça junto, possa estar presente, possa atuar na vida da cidade de São Paulo. E, naturalmente, como Igreja, poder fazer a presença, o testemunho de Igreja, testemunho de Deus presente junto do povo de São Paulo e anunciar a todos, justamente, que Deus habita esta cidade, quer bem o povo de São Paulo.




TVA: Nós tivemos uma prova disso na missa da Arquidiocese no Pacaembú?Dom Odilo: Foi uma manifestação muito bonita, na celebração de conclusão do ano centenário, no dia 8 de junho passado. Foi uma manifestação de grande fé, de grande unidade, da Igreja em São Paulo. E também de esperança, de alegria do povo que se manifestou, que esteve presente, do clero que esteve presente, dos religiosos e religiosas que também acompanharam. Momento bonito e importante na vida da Arquidiocese.